Meu tumblr não tem sempre 500 pessoas online, não tem 50 mil followers, nem 100 mil asks pra responder. Não tem os textos mais reblogados, e nem é conhecido. Mas eu sei que nunca precisei plagiar ninguem pra conquistar o que eu tenho.
(Source: sinceridadesdeumidiota)
“Garoto morto na rua 5, avenida central” Essa era a manchete do dia seguinte a sua morte. Ninguem saberia o que aconteceu aquela noite, ninguem se importaria mais, depois de uma semana seu nome já teria sido esquecido, seus amigos encontrariam novas pessoas, sua mãe teria parado de chorar. Afinal, a vida continua, o mundo não para por que alguem morreu na rua, isso acontece todo dia. Alguem está morrendo agora, e segundos depois, mais alguem.
Mas ele tinha algo de especial, ele precisava ser lembrado.
Havia uma garota na noite, não me lembro seu nome, sei que tinha grandes olhos verdes, e um longo e bonito cabelo vermelho, pele branca, quase transparente. Ela era linda.
Minha memória tem estado muito ruim esses dias, mas sei que ele chamava ela de amor, querida, e de poucos em poucos minutos, dava-lhe alguns beijos, na testa, e logo em seguida, descia seus labios até a boca da moça.
Formavam um casal bonito, lindo pra falar a verdade, ele com seus olhos azuis brilhantes, o cabelo um pouco bagunçado, de terno e tenis do modelo all-star, achei até curioso, mas quando olhei pra moça que o acompanhava, percebi que eles eram feitos um para o outro. Ela estava com um vestido, não muito curto, e nem muito longo. Com um tenis do mesmo modelo que o dele. Achei fofo e estranho ao mesmo tempo.
Eles entraram no restaurante ao mesmo tempo que eu entrei com minha esposa. Não haviam muitas mesas sobrando, então ficamos nós quatro na mesma. Eu com meus 57 anos e minha esposa com 52, comentavamos com o outro casal, que eles pareciam muito conosco, quando jovens. Eles riram, falando que pareciamos um casal muito unido, mas esse não é o ponto forte da historia. Enfim, eles foram embora na mesma hora que nós fomos, e lhes dei uma carona até a rua 14 da avenida central, aonde eles iriam andando para casa.
Deixamos eles na avenida e fomos embora, vendo eles se abraçarem e começarem a andar.
Poucos minutos se passaram, eu e minha esposa paramos em um mercado local pra comprar vinho. Até que um barulho, que me parecia de tiros, percorreu o mercado. Deixando todos paralisados com isso, algumas pessoas corriam, outras se abaixavam. Minha experiencia na segunda guerra mundial me fez perceber que o barulho não vinha de dentro do mercado, e que mesmo não sendo no mercado, era muito proximo.
Saímos, eu e minha esposa, do mercado para ver o que havia acontecido no lado de fora. E vimos que vinha correndo em nossa direção a menina à qual tinhamos dado uma carona.
Ela estava espantada quando contou que seu namorado havia morrido, para salvar sua vida.
“- Velho, se ela era ”tua vida” por que deixou ela ir?
- Sabe por que? Por que pra mim duas garrafas de vodka, eram mais importantes que ela. Eu tinha que fazer sexo, transar com duas, pelo menos 4 vezes por semana, eu tinha que pegar meu carro, encher ele de mulher gostosa e ir pra balada, pagar a cortesia pra elas. Eu tinha que mandar minha mãe ir tomar no cu, quando ela dizia pra eu ficar em casa pra estudar pro vestibular, eu tinha que curtir minha vida de adolescente, eu tinha que fazer tudo isso. Daí agora eu perdi ela, perdi a mulher que eu mais amei na vida, e sabe o que dói? Ver que ela ta sorrindo pra outro cara, de um jeito que ela nunca sorriu pra mim. É eu ver o facebook dela todo dia e ver as fotos deles, ele é tão carinhoso, tão inteligente, ele sabe como tratar ela bem. Ele merece ela.
- Sim, mas agora você a perdeu.
- Perdi, caralho. Perdi ela pra aquele babaca nerd filho da puta. E eu me arrependo por ter deixado ela ir, todos os dias da minha vida.